quarta-feira, 3 de agosto de 2011

sivilcultura

Silvicultura     forestry
Influência dos tratamentos silviculturais na qualidade da madeira
De um modo geral, pode-se melhorar, modificar, controlar ou minimizar os fatores que afetam a qualidade da madeira por meio de tratos silviculturais. Os tratamentos silviculturais mais empregados na cultura de Eucalyptus, no Brasil, com o intuito de alterar a qualidade da madeira são o espaçamento, fertilização, controle de pragas e plantas invasoras, desbastes e podas.

As alterações nas condições de crescimento devido à aplicação de fertilizantes ou qualquer outro tratamento silvicultural são freqüentemente associadas a alterações na qualidade da madeira. A aplicação de fertilizantes em povoamentos florestais pode acarretar alterações na densidade da madeira e, consequentemente, nas propriedades físico-mecânicas. A adubação pode alterar a estrutura anatômica da madeira e a constituição química da parede celular. Não se encontraram respostas para a densidade da madeira de Eucalyptus grandis, aos seis anos de idade, em decorrência da aplicação de fertilizantes, mesmo quando foram considerados os materiais lenhosos formados em distintas fases de desenvolvimento das plantas.

Povoamentos de Eucalyptus grandis e Eucalyptus saligna, com espaçamentos de 3,0 x 1,5 e 3,0 x 2,0 m, no estado de São Paulo, já se encontravam em estado de estagnação a partir dos sete anos de idade. Um menor número de plantas por hectare pode levar à formação de ramos com maiores diâmetros, redução da desrama natural e do volume a ser obtido no primeiro desbaste, além de apresentar a primeira tora para serraria bastante cônica; por outro lado, um maior número de árvores por hectare pode levar à competição entre árvores antes da idade do primeiro desbaste recomendado( 4 anos), com diâmetro bastante reduzido das árvores. Se o objetivo do manejo é a obtenção de madeira para serraria e postes, não se recomendam espaçamentos menores que 3,0 x 2,5 m, sugerindo densidades entre 2.000 a 1.200 plantas por hectare.

Em experimento com clones híbridos de E. grandis x E. tereticornis, com nove anos de idade, plantados em espaçamentos variados, verificou-se que o espaçamento altera a proporção de madeira juvenil.. Estudando-se a influência do espaçamento na qualidade e na produção em peso da madeira de Eucalyptus grandis e E. urophylla, verificou-se que o espaçamento não afetou significativamente a densidade e o peso da madeira. A definição de um dado espaçamento tem um efeito muito forte tanto no crescimento como na formação da madeira, em função da intensa competição por nutrientes, água e luminosidade. A variação na densidade é fortemente afetada pelo grau de supressão, tendo um efeito inverso bastante pronunciado na uniformidade da madeira. As árvores que crescem em espaçamento bastante fechado apresentam um aumento na densidade muito rápido da madeira à medida que se afasta da medula e as árvores que crescem em espaçamento mais aberto apresentam um padrão de densidade mais uniforme, bem como apresentam uma maior proporção de madeira madura, atingindo valores de densidade maiores numa idade mais precoce.

Desbastes

A produção tradicional de madeira de eucalipto no Brasil tem-se utilizado do sistema de corte aos 6ou 8 anos, seguido da condução de rebrota, por mais uma ou duas rotações.. O principal mercado dessa madeira são as empresas que a transformam em celulose e papel, chapas e carvão vegetal para uso siderúrgico. Produzida em alta escala para atender à demanda acelerada desse parque industrial, quase não houve espaço para o desenvolvimento de florestas de eucalipto que visassem à produção de madeiras para serraria e laminação. Este uso difere bastante daquela produção para a indústria de transformação em móveis, pisos, peças estruturais, assoalhos, painéis etc. pelo fato básico de que a madeira é utilizada na sua forma integral, preservando as suas características de aparência e versatilidade.

Os desbastes são cortes parciais feitos em povoamentos imaturos, com o objetivo de estimular o crescimento das árvores remanescentes e aumentar a produção de madeira de melhor qualidade. Entende-se como melhor qualidade árvores de maiores dimensões, possibilitando a utilização em produtos sólidos, como serraria e laminação. As coníferas são mais frugais que as folhosas ou as espécies de rápido crescimento do gênero Eucalyptus. Com isso, a capacidade de suporte do sítio é maior para as coníferas em termos de área basal. O eucalipto é mais influenciado pelo micro-sítio, havendo uma grande interação com o material genético, principalmente oriundo de sementes. Os desbastes tendem a acentuar essa interação genótipo-ambiente, quando são realizados apenas com base no vigor das árvores. Há indícios de que se pode aumentar a capacidade de produção de madeira de uma área de florestas com Eucalyptus, através do desbaste. A reação da árvore é transferir a energia produzida para o crescimento, adaptando-a à nova situação ambiental. Com isso, o crescimento inicial logo após o desbaste é lento. Os desbastes, portanto, devem ser pouco intensos e mais freqüentes, levando-se em conta que a intensidade e a freqüência devem ser economicamente viáveis.

A nível mundial, as melhores experiências com o manejo de eucalipto para serraria aconteceram na África do Sul, acumulando uma experiência de mais de setenta anos no manejo das florestas. Resultados conclusivos com várias espécies evidenciam que uma maior produção volumétrica e madeira de melhor qualidade ocorrem na condução da rotação de média duração, entre 14 e 15 anos. Idades menores não exploram todo o potencial produtivo da floresta e a qualidade da madeira não é satisfatória, ao passo que além dos 30 anos, começam a surgir sérios problemas que prejudicam a madeira, como defeitos e tensões internas, além da perda de lucratividade pelo tempo demasiado de ocupação da terra.. Para Eucalyptus regnans, um desbaste de 1200 para 150 árvores por hectare, aos sete anos de idade, não ocasionou nenhuma vantagem no crescimento, pelo menos 2,5 anos após a intervenção. O motivo é que a redução de 88% afetou a performance das árvores. Um desbaste para 35o árvores/há, porém, promoveu significativo aumento no crescimento das árvores remanescentes.

Trabalhos realizados por vários pesquisadores, com Eucalyptus grandis, na África do Sul, demonstraram que os desbastes resultaram numa madeira com maior densidade e menor variação no sentido medula-casca, quando comparado com plantios sem desbastes. Num regime de desbastes para o Eucalyptus grandis, plantado num espaçamento de 3,0 x 2,0 m, no Rio Grande do Sul, previram-se desbastes aos 4, 8 e 15 anos, reduzindo-se a lotação para 950, 475 e 238 árvores por hectare, com um corte raso aos 21 anos. A produção prevista de madeira para o final do ciclo foi de 540 m3/ ha, sendo 275 m3 para serraria, 130 m3 para laminação e 135 m3 / ha para outros usos. Alguns pesquisadores verificaram que as florestas de eucaliptos na África do Sul com desbastes menos intensos reduziam a formação de madeira juvenil, mas também reduziam o crescimento das árvores; por outro lado, os desbastes mais cedo e mais pesados produziam madeiras com maiores tensões de crescimento. Desbastes mais cedo e mais pesados em Eucalyptus grandis irão estimular o crescimento em diâmetro; no entanto, a madeira produzida durante os 15 primeiros anos será de qualidade inferior, com elevada tensão de crescimento, independente do espaçamento em que as árvores estejam crescendo. Para aumentar a proporção de madeira de qualidade, o primeiro desbaste deve ser leve, preferencialmente quando a madeira tiver diâmetro mínimo para utilização. Recomenda-se o seguinte manejo para o Eucalyptus grandis: plantio inicial de 1330 árvores/há, baixando para 990 plantas/ha entre 6 e 7 anos; baixar em seguida para 74o plantas entre 9 e 10 anos; para 490 plantas entre 12 e 13 anos; para 250 plantas entre 15 e 16 anos; para 150 plantas entre 18 e 20 anos; para 100 plantas entre 20 e 22 anos e corte raso aos 30 anos.

Os desbastes podem prejudicar as árvores remanescentes em qualquer idade pela ação do vento ; porém, para desbastes de mesma intensidade, plantios mais jovens são menos afetados. Os desbastes em Eucalyptus devem ser drásticos, precoces e por baixo. O primeiro desbaste deve ser cedo e pesado para eliminar árvores dominadas e defeituosas. Os desbastes intermediários acima de 12 anos devem ser mais leves que o primeiro desbaste para impedir o aparecimento de ramos laterais, o que ocasionaria o aparecimento de grande quantidade de material de baixa qualidade. As bases para condução dos eucaliptos através de desbastes devem apresentar os seguintes aspectos: a) desbastes moderados e freqüentes são preferíveis aos fortes e espaçados, devendo a área por árvore aumentar mais rapidamente na fase juvenil, pois as respostas serão muito melhores do que no estado adulto; b) desbastes precoces ou exagerados são inconvenientes por prejudicarem a formação da copa, estimularem brotações laterais indesejáveis e sujeitarem as árvores delgadas à ação danosa dos ventos, sem permitir adaptação gradativa; c) espaçamentos iniciais mais amplos não substituem os desbastes sucessivos, pois a forma das árvores vai piorar, o volume total será menor e os defeitos da madeira serão mais acentuados e irremediáveis.

Atualmente, um dos métodos mais aplicados com sucesso em todo o mundo é o CCT( Tendências das Curvas de Crescimento Correlacionadas), que permite definir, com relativa precisão, a freqüência e a intensidade dos desbastes. Através de parcelas experimentais de acompanhamento, onde são feitas comparações de desbastes e cujos resultados são extrapolados para todo o povoamento. O princípio básico é evitar que o povoamento entre em competição, permitindo que as árvores cresçam livremente, em ritmo acelerado, resultando em madeira mais homogênea e mais estável, além de maiores volumes finais.

Algumas empresas florestais brasileiras voltadas para a produção de madeira para os tais usos tradicionais atualmente estão vislumbrando a possibilidade de se produzir madeira de maiores dimensões, objetivando a agregação de maior valor à matéria-prima. O método de “exploração com remanescentes” consiste em se selecionar as melhores árvores( 50 a 200) árvores por hectare e não derrubá-las por ocasião do primeiro corte, aos 7 anos; tais árvores são novamente poupadas no corte da rebrota, aos 14 anos, sendo estas árvores remanescentes retiradas somente após o terceiro corte da brotação, por volta dos 21 a 23 anos. A viabilidade desse método é comprovada pela obtenção simultânea de madeira para os usos tradicionais( rebrota) e a obtenção de 50 a 200 árvores de excelente qualidade para serraria e laminação. Alguns autores, no entanto, afirmam que os solos pobres e arenosos não respondem a este tipo de manejo, ficando restrito apenas aos solos de maior fertilidade; além disso, afirmam que a brotação anula os efeitos do desbaste, após o 2o ou 3o anos, entrando a floresta em grande competição novamente, após esse período; garantem eles que os benefícios esperados para as árvores remanescentes somente ocorreriam com a eliminação da rebrota.

Desrama

A desrama ou poda consiste na eliminação dos ramos laterais do tronco da árvore, com o objetivo de produção de madeira livre de nós. Embora muitas espécies de Eucalyptus apresentem desrama natural, a permanência dos ramos secos nas idade jovens ou a retirada dos mesmos ocasionam problemas de nós na madeira e a formação de bolsas de resina. Tanto a presença de nós como a bolsa de resina diminuem a resistência física das peças de madeira e prejudicam a aparência. A poda nas plantações industriais de eucalipto melhora a qualidade da madeira, livrando-a dos nós e diminuindo a conicidade do tronco. A desrama deve ser realizada logo após o fechamento da copa e a uma altura mínima de de 2 metros com as seguintes vantagens: a) permitir o acesso ao talhão para acesso ao talhão para inspeção e marcação do desbaste; b) reduzir o risco de incêndios, diminuindo a chance do fogo atingir a copa das árvores; c) facilitar o corta das árvores nas operações de desbaste e d) produzir madeira livre de nós na base da árvore, onde se concentra a tora de maior diâmetro. A poda pode ser feita em todo o talhão ou em algumas árvores seletivamente. Em geral, a poda é feita nos primeiros anos do plantio de eucalipto e, como ainda na fase jovem não há como selecionar os melhores fenótipos, recomenda-se a poda em todas as árvores.

A definição da freqüência e a intensidade da desrama deve seguir algumas premissas básicas: a) A desrama é uma operação de altos custos e deve estar acompanhada ou seguida de desbastes, pois são atividades complementares, quando se busca a qualidade da madeira; b) as desramas devem ser verdes e realizadas o mais cedo possível; c) no caso de plantações de eucalipto, a desrama segue o ritmo de crescimento do povoamento e, não necessariamente, a sua idade, que pode variar de 1,5 a 3 anos; d) a primeira desrama é feita até 2 ou 3 metros de altura, o que corresponde a cerca de 50% da copa; e) a intensidade da desrama pode envolver até 2/3 da copa, o que não compromete o crescimento das árvores e pode até estimular o crescimento; f) a desrama não deve ultrapassar os 6,5 metros de altura; g) as operações de desrama devem ser feitas na primavera, a fim de promover a rápida cicatrização das feridas.Após analisar os efeitos de poda e desbaste em Eucalyptus, alguns pesquisadores recomendam a poda somente nas melhores árvores, aos dois anos de idade, até a altura máxima de 4 a 5 metros. Acima desta altura, a desrama natural é efetiva e não ocasiona a formação de nós mortos. A primeira desrama para Eucalyptus grandis deve ser feita até a altura de 2,20m, quando a planta estiver com 2 anos de idade e nova desrama, apenas nas melhores árvores, até a altura de 6,0 m, quando a planta estiver com 4 anos, por ocasião do primeiro desbaste.

O Departamento Florestal da África do Sul toma como referência a altura média do povoamento e não a idade para se realizar a poda. Tais podas devem ocorrer até 3,0, 5,0 e 7,5m quando as árvores tiverem, no mínimo, 6,6 , 9,0 e 13,5m de altura , respectivamente. Alguns pesquisadores, estudando a distribuição da podridão causada por podas e tensão de crescimento, em Eucalyptus regnans na Nova Zelândia, verificaram que, quando as podas são freqüentes, os diâmetros dos galhos são menores, diminuindo o tempo de cicatrização; consequentemente, o tempo de exposição dos ferimentos à infecção é menor. A madeira livre de nós (clearwood) no mercado internacional é muito valiosa, chegando a valer até 2,25 vezes mais que a madeira com nós.

Este tipo de manejo propicia uma taxa interna de retorno de 10,58%, um custo médio de madeira em pé de US$ 6,81/ m3 e um custo de exploração de US$ 4,52/ m3. Comparando com o sistema tradicionalmente usado para a produção de madeira para processo em 3 cortes, tem-se 300m3/há aos 7 anos, 245m3/ha aos 14 anos e 161m3/ha aos 21 anos, apresentando uma taxa interna de retorno de 18,74%, um custo médio da madeira em pé de US $4,44/m3 e um custo de exploração de US$ 4,21/ m3. Do ponto de vista econômico, para que as taxas de retorno do manejo com desbastes sucessivos se igualem à taxa de retorno com corte raso é necessário que o preço da madeira de serraria seja acrescido de 230%, o que é facilmente obtido nas condições atuais de mercado. A execução de desbastes sucessivos em Eucalyptus grandis se mostra como opção mais adequada à produção de madeira para serraria do que o antigo sistema de corte seletivo, onde se mantinham as árvores remanescentes.

Silvicultura Clonal em Eucalyptus

INTRODUÇÃO

A propagação clonal pode ser definida como aquela em que a meta principal constitui-se em reproduzir indivíduos geneticamente idênticos, a partir de uma fonte de material vegetativo de uma planta selecionada. O processo biológico é conhecido como clonagem e a população de plantas resultantes da planta clonada é chamada de clone.

As principais características e vantagens do uso do clone na área florestal são: a) semelhança entre as plantas provenientes de uma mesma planta clonada, resultando em plantios com grande uniformidade em relação às características silviculturais e tecnológicas; b) possibilidade de obtenção de clones com boa adaptação às adversidades ambientais, permitindo contornar problemas de doenças e situações de ambientes inadequados ao plantio com material genético a partir da propagação sexuada (semente), e; c) incremento na produção das florestas clonais, viabilizando custos acessíveis e competitivos às empresas. Por essas razões, a utilização de clones vem sendo cada vez mais adotado nas empresas florestais, tornando-se estratégica no desenvolvimento da produção florestal no Brasil.

A “silvicultura clonal” compreende todo o processo de formação de uma floresta clonal, incluindo a seleção da árvore superior, a multiplicação vegetativa, a avaliação de árvores selecionadas em teste clonal, a produção de mudas e o estabelecimento da floresta clonal.

Nas regiões tropicais e subtropicais, o Eucalyptus tem-se constituido como um dos gêneros mais explorados e tem merecido atenção na silvicultura clonal, devido aos atuais avanços obtidos na pesquisa e, de certa forma, pela facilidade na propagação vegetativa, além da característica de serem plantas consideradas de rápido crescimento.

No Brasil, relatos apontam que as plantações clonais com Eucalyptus deslancharam-se a partir da década de 70, a partir do desenvolvimento da técnica de estaquia em escala operacional, motivada pelos seguintes pontos: a) uniformidade dos plantios, possibilitando maior controle sobre a qualidade dos produtos; b) aproveitamento de combinações genéticas raras, tais como híbridos de Eucalyptus grandis X E. urophylla); c) maximização do ganho em produtividade silvicultural e de qualidade tecnológica da madeira em uma única geração de seleção; d) possibilidade de contornar problemas de doenças, como “cancro” (Cryphonectia cubensis); e) possibilidades de duas, três e até quatro rotações economicamente viáveis; f) custo acessível e competitivo às empresas; g) experiências já comprovadas na silvicultura convencional, e; h) opções de técnicas de propagação vegetativa em grande desenvolvimento nas diversas áreas da ciência.

PRINCÍPIOS DA SILVICULTURA CLONAL

Para maior compreensão da silvicultura clonal, torna-se imprescindível o entendimento dos princípios específicos da biologia e dos conceitos de multiplicação das plantas. Para as plantas superiores, de forma geral, a propagação pode ocorrer através duas diferentes formas: a) A forma sexual caracteriza-se por ter a semente como elemento de propagação, acarretando variação genética entre as plantas descendentes. b) A forma assexuada, também denominada propagação vegetativa, não envolve recombinação genética, permitindo a reprodução fiel do genótipo de uma planta.

Os plantios via propagação vegetativa não apresentam variações genéticas nas plantas descendentes, constituindo-se em populações com maior uniformidade em relação àquelas oriundas de sementes. No entanto, vale salientar que a maior uniformidade observada nas populações clonais torna-a mais vulnerável às condições adversas do ambiente.

SELEÇÃO DO CLONE

O processo de seleção da árvore superior, que vai constituir o futuro clone, é de fundamental importância para se alcançar a meta desejada na silvicultura clonal. Em programas iniciais de clonagem de Eucalyptus, a seleção de árvores superiores tem sido realizada, principalmente, em plantios comerciais implantados com mudas produzidas a partir de sementes, devido a grande variabilidade genética. Nos programas mais avançados de silvicultura clonal, a seleção de árvores superiores em testes de progênies tem sido a forma mais indicada, visando superar a seleção de árvores baseada simplesmente nas características fenotípicas.

Em relação aos critérios e às características de seleção do clone, a sua definição deve ser avaliada, principalmente, em função dos objetivos da clonagem (Ex.: produção de madeira para celulose, carvão, serraria, etc.), da espécie florestal, disponibilidade de infra-estrutura, tempo e recursos financeiros.

Na silvicultura clonal de Eucalyptus, por exemplo, a seleção de clones visando atender a indústria de produção de celulose tem considerado, normalmente, na seleção da árvore superior as seguintes características: volume, resistência a doenças e pragas, retidão de tronco, desrama natural, características de copa, composição e característica da casca, aptidão a rebrota, aptidão ao enraizamento das estacas no processo de propagação vegetativa e a densidade da madeira. Na avaliação em testes clonais, incluem a confirmação das características avaliadas na seleção da árvore selecionada, rendimento em pasta para celulose, produção de tonelada de polpa/ha/ano, propriedades físicas e mecânicas da polpa.

RESGATE E MULTIPLICAÇÃO DA ÁRVORE SELECINADA

Dentre as técnicas de multiplicação vegetativa visando a propagação clonal de árvores selecionadas, principalmente em se tratando da planta na idade adulta, a enxertia e o enraizamento de estacas tem sido as mais utilizadas na silvicultura clonal.

No que tange as espécies do gênero Eucalyptus, as técnicas de resgate de árvores selecionadas já estão bem estabelecidas, onde, a decepa da árvore selecionada busca a emissão de brotações com maior grau de juvenilidade na base da cepa, as quais são posteriormente estaqueadas. Entretanto, este procedimento é restrito às espécies com potencial de rebrota das cepas, limitando sua aplicação a muitas espécies florestais, como por exemplo, na maioria das espécies do gênero Pinus em idade adulta, que apresentam grande dificuldade de rebrota.

Uma vez resgatada vegetativamente a árvore selecionada objetivando atender aos anseios da silvicultura clonal, recomenda-se que, em um programa de clonagem em escala comercial, seja imprescindível a instalação de testes clonais, para que se possam selecionar efetivamente os melhores clones. A simples seleção fenotípica das árvores superiores e a sua propagação vegetativa não garantem que o material selecionado propicie os ganhos esperados e a manutenção da superioridade até a fase de colheita.

Vale ressaltar que a etapa de avaliação é uma das mais demorada e, quanto maior o número de clones avaliados por unidade de tempo, maior é a possibilidade de sucesso com a seleção. No entanto, o número de clones deve ser compatível com os interesses, disponibilidade de material genético e a realidade da empresa.

PROPAGAÇÃO CLONAL

Entre os métodos de reprodução vegetativa de Eucalyptus desenvolvidos, em escala comercial, a estaquia mostra-se como uma técnica cujos princípios já são bem conhecidos, resultando numa ampla adoção desta técnica na clonagem desta espécie, a qual permitiu o desenvolvimento da silvicultura clonal de forma intensiva em diversas partes do mundo.

Dada a importância do gênero Eucalyptus no atual cenário da silvicultura clonal, nos últimos anos foram desenvolvidas metodologias de propagação vegetativa que aperfeiçoaram a técnica de estaquia, denominadas de “miniestaquia” e “microestaquia”, as quais proporcionaram a minimização de algumas dificuldades no processo de produção de mudas de certos clones e espécies, principalmente no que concerne ao enraizamento, formação das mudas e no desenvolvimento da futura árvore.

Estaquia em Eucalyptus

A propagação clonal em Eucalyptus por estaquia constitui-se no enraizamento de estacas caulinares (segmentos de 6-10cm de tamanho) confeccionadas a partir de brotações provenientes de cepas de árvore selecionada, banco clonal ou jardim clonal.

No estabelecimento de áreas de multiplicação vegetativa, o uso de jardim clonal tem sido a forma mais aplicada, permitindo um manejo intensivo e ajustado para obtenção de brotações, destinado ao êxito do enraizamento das estacas (Figura 1A). A frequência das coletas no jardim clonal varia, em média, de 15 a 45 dias, a qual é função da espécie, clone, ambiente e da metodologia de coleta (poda drástica ou seletiva).

Quanto ao processo de enraizamento, as estacas recebem em sua base tratamento com o regulador de crescimento AIB (ácido indolbutírico), dosagem em torno de 6.000 a 8.000mg/l. Em seguida, são estaqueadas em recipientes contendo o substrato para o desenvolvimento do sistema radicular (Figura 1B). Este material uma vez estaqueado, permanece na casa de vegetação por um período de 20 a 45 dias, o qual é variável com a região, a época do ano, espécie e clone envolvido. Após este período, as estacas enraizadas são transferidas para aclimatação em casa de sombra, onde permanecem por 8 a 15 dias, sendo então levadas para um local de pleno sol, onde completam seu desenvolvimento e recebem os tratamentos finais, antes de serem levadas para plantio no campo. Normalmente, as mudas produzidas por enraizamento de estacas estão aptas a serem plantadas quando atingem 90 a 120 dias de idade.

Devido às dificuldades de propagação vegetativa encontradas em algumas espécies, principalmente no que envolve material adulto e variação entre clones, o desenvolvimento do processo de estaquia, resultou nos atuais processo denominados de miniestaquia e microestaquia, conforme será mencionado a seguir.

Miniestaquia em Eucalyptus

A técnica de miniestaquia constitui-se na utilização de brotações de plantas propagadas pelo método de estaquia convencional como fontes de propágulos vegetativos. De forma generalizada, faz-se a poda do ápice da brotação da estaca enraizada, muda com aproximadamente 50-60 dias de idade, que em intervalos de 10 a 25 dias, variável em função da época do ano, do clone/espécie, das condições nutricionais, entre outras variáveis, emite novas brotações que são coletadas para enraizamento. Assim, a parte basal da brotação da estaca podada constitui-se em uma minicepa (Figura 2A) que fornecerá os propágulos vegetativos (miniestacas) (Figura 2B) para a formação das futuras mudas (Figura 2C). Resumidamente, o conjunto das minicepas em intervalos regulares de coletas, constitui-se num jardim miniclonal que fornecerá miniestacas para a produção de mudas.

No presente caso, as miniestacas possuem dimensões que variam de 3 a 6 centímetros de comprimento, contendo de um a três pares de folhas, variável em função do clone/espécie. Um a dois pares de folhas são recortadas ao meio visando evitar o excesso de transpiração, facilitar a chegada da água de irrigação ao substrato (evitar o efeito guarda-chuva) e evitar o recurvamento das miniestacas em razão do peso da água sobre a superfície das folhas.

O processo de enraizamento e formação das mudas de miniestacas segue os mesmos procedimentos da técnica de estaquia, ou seja, estas são colocadas para enraizamento em casa de vegetação (permanência de 15 - 30 dias), seguindo posteriormente para a casa de sombra (permanência de 10 dias) para aclimatação e finalmente para pleno sol, para formação final da muda. Os períodos de permanência das miniestacas em casa de vegetação, conforme descrito acima, dependem da época do ano, do clone/espécie envolvido e do estado nutricional das miniestacas.

Microestaquia em Eucalyptus

A microestaquia diferencia-se da miniestaquia basicamente pela origem do material que compõe o jardim microclonal, ou seja, na microestaquia a origem das microcepas são mudas micropropagadas e na miniestaquia a origem das minicepas são de mudas propagadas pela estaquia.

A opção pela miniestaquia precedendo a microestaquia pode ser considerada como uma boa estratégia, em função da miniestaquia não necessitar de estruturas de laboratórios de cultura de tecidos (micropropagação), reduzindo, portanto, o custo na produção das mudas. Isto é justificado em algumas situações onde a miniestaquia apresentada anteriormente, pode apresentar resultados eficientes tanto quanto aos da microestaquia. Porém, para clones que apresentam dificuldades de propagação pela miniestaquia, a microestaquia torna-se a alternativa de propagação vegetativa de clones selecionados.

PLANTAÇÕES MONOCLONAIS

Uma vez feita a opção pela clonagem como forma de implantação de uma floresta, a forma de distribuição e o número de clones constitui-se em importante fator a ser considerado no estabelecimento e gerenciamento de um programa de silvicultura clonal. Entre as várias modalidades de distribuição de clones no plantio comercial, a de maior aplicação no setor florestal é o plantio monoclonal.

O plantio monoclonal, como o próprio nome indica, são aqueles em que os clones são selecionados para sítios específicos e plantados individualmente em blocos, ou seja, cada parcela de uma determinada área de plantio é constituída por plantas de um mesmo clone. Em relação à distribuição dos blocos na área florestal, a estratégia de plantios monoclonais distribuídos na forma de mosaico tem sido a mais praticada em Eucalyptus, vistos os benefícios proporcionado.

A estrutura de mosaico em grandes áreas permite obter arranjos dos blocos monoclonais dentro de um talhão, com variações na classe de idade, métodos de regeneração e espécie/clone, além de proporcionar a maximização da produção de um determinado clone para locais específicos.

QUANTOS CLONES UTILIZAR EM UM PLANTIO CLONAL?

Ao iniciar um programa de silvicultura clonal, uma das definições é quanto ao número de clones que deverão compor o projeto. Assim, ao responder esta questão, algumas considerações devem ser colocadas e analisadas num contexto técnico, operacional e econômico, das quais temos: 1) as preocupações biológicas relacionadas a redução da base genética (diversidade genética); 2) a interação “clone X ambiente” deve ser bem analisada visando definir quais os clones mais estáveis e específicos. 3) o uso futuro da madeira e a seguridade de manutenção naquele mercado consumidor é outra situação que deve ser avaliada; 4) quanto a questão operacional; 5) experiência com os clones em termos de práticas de manejo florestal e de nutrição, bem como do conhecimento do processamento industrial e do uso final; 6) a área mínima e máxima plantada com um clone, ou seja, o tamanho do projeto (área plantada).

Enfim, o número seguro de clones a ser utilizado em um programa comercial recai sobre a relação “risco X ganho”, onde não existe uma resposta absoluta para todas as situações, sendo uma boa estimativa aquela elaborada a partir da experiência com os clones disponíveis, assim como em função do tamanho e variações ambientais da área do projeto de reflorestamento.

Segundo as recomendações usuais no setor florestal brasileiro, onde se adota o plantio monoclonal em mosaico, o número de clones de Eucalyptus varia desde dezenas até menos de 5. Os critérios são os mais variados na sua recomendação, não existindo, ainda, um consenso geral de uma metodologia que possa orientar tal recomendação.

Atualmente, existem algumas empresas florestais que comercializam e produzem mudas de clones já selecionados, possibilitando os agricultores utilizar material genético de qualidade superior, distribuindo assim as vantagens da silvicultura clonal.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

energias renovaveis


Os proprietários de residências podem escolher a partir de uma seleção impressionante de energias renováveis. Mas qual delas é a melhor para você? Klaus Schmuck, da Allianz Climate Solutions, discute os prós e os contras.

Mais e mais casas estão sendo equipadas com painéis solares. Por que a energia solar está crescendo tão rápido?
Os preços diminuíram cerca de um terço no decorrer do último ano porque agora existem muitos fornecedores.
O número de fabricantes chineses de painéis solares multiplicou por dez nesse último ano, e muitos deles já atendem às normas europeias.
Dois anos atrás, os compradores em potencial teriam que perguntar aos fornecedores se deviam comprar painéis solares e em qual número. Os fabricantes é que faziam os preços, praticamente. Agora nós temos um excesso de painéis solares.

Quem deveria investir em painéis solares?
Esse é um bom investimento para quase todo mundo na Alemanha, exceto para quem mora na região noroeste, pois ali se produz energia não para as próprias necessidades de consumo, mas para a rede de energia.
O governo garante um preço fixo pela energia solar bem acima daquele que se pagaria pela eletricidade de fontes não regeneráveis. Os proprietários de residências na Alemanha não estão interessados na independência energética, e sim em vender energia por um bom preço.
Muitos países europeus atualmente têm tarifas feed-in similares. No sul da Europa e norte da África também faz sentido usar energia solar para consumo doméstico. E agora os Estados Unidos estão começando a implantar painéis solares em grande escala. A Califórnia já é líder mundial.

Nós achamos que, numa escala global, a paridade de rede poderia ser alcançada em 2015, especialmente em regiões com altos preços de eletricidade e muita insolação. A energia solar deverá, nessa altura, ser capaz de se manter por si mesma sem subsídios, mesmo se comparada à eletricidade gerada a partir do gás natural ou da energia nuclear.

Os donos de imóveis deveriam investir agora ou os preços dos painéis solares vão cair ainda mais dentro de dois ou três anos?
Na Alemanha você deveria investir nisso antes do fim de 2010. A eletricidade dos painéis solares construídos antes de 2011 pode ser vendida por um preço garantido que permanecerá estável por 20 anos. Depois disso, o preço garantido vai diminuir a cada ano.
Mas há um paradoxo interessante: painéis solares, normalmente, são mais caros em países com muito sol. Do contrário, os lucros aqui seriam muito altos. Mesmo na Alemanha, eles são mais caros no sul, onde há mais sol, do que no norte do país.

O que você deve levar em consideração ao instalar e acionar painéis solares?
Comece pelo imóvel em si; você deve verificar se o telhado realmente pode suportar os painéis. Se estiver construindo uma casa nova, você pode integrá-los diretamente no telhado. Se estiver reformando uma casa antiga, você terá de montar uma estrutura no telhado, o que é o que é aconselhável já que os painéis precisam de boa ventilação para funcionar de modo eficiente.
E você terá ainda de escolher o tipo certo de painel para o local. Em uma cidade grande como Berlim, a luz é mais difusa por causa de toda a poluição e a névoa. No interior, você recebe a radiação solar de modo mais direto e intenso. Em geral, existem dois tipos de painéis solares: aqueles feitos com as chamadas células solares de filme fino (que são menos eficientes, mas funcionam melhor com luz difusa) e as clássicas células de wafer de silício (que podem gerar mais eletricidade, mas precisam de radiação solar direta).
Uma vez que os painéis solares estejam instalados e funcionando, eles não necessitam muita manutenção. Somente as instalações maiores requerem um controlador experiente. Para instalações em residências comuns, uma checagem semanal de desempenho é suficiente para verificar se os painéis estão funcionando adequadamente.

Quanto tempo leva para amortizar o investimento inicial?
Isso depende de como você financia os painéis. Na Alemanha, normalmente, leva de 7 a 11 anos.
Nós sabemos quanto tempo leva até uma turbina eólica gerar a quantidade de energia que foi necessária para a sua construção: normalmente, uns poucos meses apenas. Para painéis solares é difícil obter esses dados porque os fabricantes usam diferentes tecnologias de fabricação. Pesquisadores da Universidade de Utrecht descobriram que, dependendo da quantidade de sol recebida, pode levar de dois a quatro anos até os painéis solares gerarem mais energia do que aquela que foi necessária para fabricá-los.


Arquitetura verde ao redor do mundo

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Mais E existe um certo grau de desgaste dos painéis por tempo de uso. Eles têm de aguentar temperaturas extremas de até 60° C no verão e -20° C no inverno. Então o desempenho diminui entre 0,3% e 0,6% a cada ano. A maioria dos fabricantes dá garantia de, pelo menos, 80% do desempenho durante os primeiros 20 anos.

Que alternativas existem à energia solar?
Tem muita coisa sendo feita atualmente com turbinas eólicas de pequeno porte no Reino Unido, especialmente em áreas urbanas. Mas existe um grande problema: essas pequenas turbinas são instaladas em cima de telhados ou no topo de postes que são baixos demais.
É por isso que as turbinas eólicas convencionais são montadas em postes com 100 metros ou mais de altura. O vento lá em cima é mais estável. Em uma área urbana, você tem muita turbulência e, por consequência, a velocidade do vento não é suficiente. Além disso, a turbina cria um movimento constante que pode danificar o telhado. Numa área rural, as coisas são diferentes.
No futuro, pequenas usinas de cogeração (produção combinada de calor e energia elétrica) também se tornarão alternativas interessantes. A indústria em breve terá capacidade para produzi-las a preços competitivos. A questão é como alimentar uma unidade dessas.
Se usar gás natural, você não estará colaborando muito para melhorar a sua pegada de carbono. Pellets de madeira seriam melhores, mas aí você fica na dependência do preço da madeira. A combinação com uma usina de biogás seria a melhor solução. Existe uma cidade piloto na Alemanha, Jühnde, onde essa tecnologia vem sendo usada há anos.
Em muitos casos, uma bomba de calor geotérmica resolve o problema e pode ser combinada de modo bastante eficaz com os painéis solares. Mas você precisa se certificar de que o local seja adequado. Se a diferença de temperatura entre o solo e a superfície é pequena demais, a bomba de calor se tornará ineficaz.

Casas com consumo de energia zero combinam alguma dessas tecnologias com isolação de primeira classe. Mas elas são acessíveis?
Elas são definitivamente interessantes. Na Alemanha, o banco KfW oferece uma linha de empréstimo para essas casas. Mas quando se trata de casas com consumo de energia zero, qualidade é essencial. Se a construção não for feita corretamente, haverá vazamento de calor e umidade nas paredes, e isso vai gerar mofo.

Governos querem reduzir tremendamente o consumo de energia. O que isso significa para imóveis antigos?
Nos Estados Unidos essa tendência já é bem evidente. Existe a iniciativa chamada ‘construção verde’ (Green Building), que tenta fazer com que toda nova construção seja o mais eficiente possível em termos de energia. Eu acredito que, dentro de dez anos, você não vai conseguir achar comprador para uma casa que não tenha sido construída ou reformada visando a eficiência energética.

cidade sustentavel



A maior parte do uso da energia e das emissões de carbono mundialmente provém de cidades. Melhorando a eficiência, o transporte e o planejamento urbano, as maiores metrópoles do mundo poderiam deixar de ser poluidoras e passar a ser uma parte vital da solução para a mudança de clima, além de se tornarem lugares melhores para se viver.

Quando Londres instituiu o pedágio urbano em 2003, os motoristas e o comércio local temiam pelo pior: os mesmos congestionamentos de sempre, porém com custos maiores e menos clientes. Após seis meses, o trânsito na área central de Londres diminuiu 30% e o impacto sobre o comércio foi mínimo.

Dois anos mais tarde, aproveitando essa medida bem-sucedida, o prefeito londrino Ken Livingstone convidou prefeitos e representantes das 40 maiores cidades do mundo para discutir outras medidas que se poderiam adotar para reduzir emissões de carbono e poluição. Assim nasceu, em boa hora, a Cúpula C40 de Grandes Cidades para Liderança do Clima.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 2008 foi o primeiro ano em que mais da metade da população mundial – o que dava aproximadamente 3,3 bilhões de pessoas – passou a viver em cidades. Com o crescimento das grandes metrópoles na África e na Ásia, o número de cidadãos urbanos poderá chegar aos 5 bilhões em 2030. E se as cidades crescem, o mesmo ocorre com o seu impacto sobre o meio ambiente global.

"As cidades são responsáveis pela ampla maioria no uso da energia do mundo e pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE)," declara Janet Sawin, diretora do programa para energia e clima na ONG norte-americana Worldwatch Institute. Por exemplo, as cidades indianas, onde vive um terço do 1,1 bilhão de habitantes do país, consome 87% da eletricidade da Índia, a qual é quase toda gerada em usinas elétricas a carvão, que produzem quantidades maciças de gás carbônico.

Reconhecendo o problema, a Worldwatch dedicou uma edição do seu relatório anual State of the World aos problemas causados pela expansão das metrópoles. No entanto, o quadro não é inteiramente sombrio. As cidades são os piores poluidores, mas elas também podem diminuir de modo eficaz as emissões de GEEs que causam o aquecimento global.

Restringindo o uso de energia
As cidades sempre precisarão de muita energia para iluminação, aquecimento, importação de alimentos e transporte – elas só precisam é descobrir modos mais eficientes de fazê-lo. Cinco bancos internacionais destinaram 5 milhões de dólares em empréstimos para a iniciativa de 'construção ecológica' do ex-presidente Bill Clinton, que está investindo o dinheiro em projetos de eficiência energética em 15 países das maiores cidades do mundo, incluindo São Paulo, Londres, Mumbai, Tóquio e Berlim.

O prefeito Bloomberg, de Nova York, quer superar Londres e fazer da cidade dele a primeira "cidade ambientalmente sustentável do século 21". Bloomberg pretende reduzir em 30% as emissões de carbono da Big Apple até 2030, por meio de medidas como melhores técnicas de construção e operação de prédios, transporte mais eficiente, produção de eletricidade mais limpa e cobrança de pedágio urbano.

Porém, Bloomberg poderá descobrir que o topo da lista das cidades sustentáveis está lotado de concorrentes. Até o momento, mais de mil colegas dele já assinaram o acordo de proteção ao clima dos prefeitos dos Estados Unidos (US Mayors' Climate Protection Agreement). Esse documento obriga as cidades signatárias a atender ou superar as exigências de Kyoto: reduzir 7% das emissões de GEE até 2012, com base nos níveis de 1990. As cidades participantes incluem Portland, San Francisco, Seattle e Chicago, sendo que todas estipularam, por si mesmas, metas ambiciosas para a redução de emissões.

"Nos Estados Unidos estamos vendo uma concorrência entre cidades para ver quem consegue reduzir mais as emissões, em parte porque não houve uma liderança no nível federal," diz Janet Sawin, da Worldwatch. "Também existem cidades no mundo todo que estão fazendo mudanças não só pelos impactos ambientais e pela redução potencial de GEEs: elas estão vendo que isso possibilita criar mais empregos e oferecer melhor qualidade de vida."

Evitando os erros do passado
A Cidade do México e Bogotá realizaram grandes melhorias no transporte local, como substituir táxis antigos e introduzir sistemas eficazes de transporte coletivo. O tráfego agora flui melhor e a duração média das viagens recuou, assim como o nível geral de poluição e as emissões dessas cidades.

Outra estratégia é o planejamento urbano, que reverte a expansão urbana e melhora o transporte público a fim de evitar a poluição gerada por veículos e meios de transporte. Isso poderá ajudar a reduzir a dependência em relação aos carros, principalmente nas cidades norte-americanas.

Incorporar energia limpa e renovável é outro conceito. Na China, cerca de 90% de todas as residências em Rizhao, cidade costeira de quase 3 milhões de habitantes, usam aquecedores de água solares, e o governo local instalou painéis solares para alimentar a iluminação de rua e os semáforos. Já na Suécia, o distrito de Hammarby Sjöstad na capital, Estocolmo, utiliza o lixo residencial para produzir biogás, que é usado para aquecer moradias e alimentar os trens urbanos.

Apesar de tantos exemplos animadores, as cidades só irão fazer alguma diferença se forem apoiadas e seguidas pelos governos nacionais. A cúpula C40 em Nova Iorque, em 2009, foi encerrada com um apelo dos prefeitos aos líderes do G8 para que se definisse "uma meta no longo prazo para a estabilização das concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa.”

C40 em São Paulo, Brasil
A edição de 2011 da cúpula C40 foi realizada de 31 de maio a 3 de junho em São Paulo com a participação de 16 prefeitos e representantes de outras 31 cidades. A cidade possui diversos projetos para transformar a metrópole em um ambiente mais verde, como a construção de novos parques, o plantio e cultivo de árvores distribuídas pelo município e a implementação de programas de educação ambiental.

Como resultado do encontro, os prefeitos assinaram uma carta a ser entregue na conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, Rio+20, pedindo que os esforços das cidades para uma economia de baixo carbono e desenvolvimento sustentável recebam mais apoio dos governos.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, anunciou a criação de linhas de financiamento para projetos ambientais com o intuito de facilitar o investimento das cidades em ações sustentáveis.

Somente com o envolvimento de todos será possível transformar as discussões em ações efetivas de combate às mudanças climáticas.

cidade sustentavel

A maior parte do uso da energia e das emissões de carbono mundialmente provém de cidades. Melhorando a eficiência, o transporte e o planejamento urbano, as maiores metrópoles do mundo poderiam deixar de ser poluidoras e passar a ser uma parte vital da solução para a mudança de clima, além de se tornarem lugares melhores para se viver.

Quando Londres instituiu o pedágio urbano em 2003, os motoristas e o comércio local temiam pelo pior: os mesmos congestionamentos de sempre, porém com custos maiores e menos clientes. Após seis meses, o trânsito na área central de Londres diminuiu 30% e o impacto sobre o comércio foi mínimo.

Dois anos mais tarde, aproveitando essa medida bem-sucedida, o prefeito londrino Ken Livingstone convidou prefeitos e representantes das 40 maiores cidades do mundo para discutir outras medidas que se poderiam adotar para reduzir emissões de carbono e poluição. Assim nasceu, em boa hora, a Cúpula C40 de Grandes Cidades para Liderança do Clima.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 2008 foi o primeiro ano em que mais da metade da população mundial – o que dava aproximadamente 3,3 bilhões de pessoas – passou a viver em cidades. Com o crescimento das grandes metrópoles na África e na Ásia, o número de cidadãos urbanos poderá chegar aos 5 bilhões em 2030. E se as cidades crescem, o mesmo ocorre com o seu impacto sobre o meio ambiente global.

"As cidades são responsáveis pela ampla maioria no uso da energia do mundo e pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE)," declara Janet Sawin, diretora do programa para energia e clima na ONG norte-americana Worldwatch Institute. Por exemplo, as cidades indianas, onde vive um terço do 1,1 bilhão de habitantes do país, consome 87% da eletricidade da Índia, a qual é quase toda gerada em usinas elétricas a carvão, que produzem quantidades maciças de gás carbônico.

Reconhecendo o problema, a Worldwatch dedicou uma edição do seu relatório anual State of the World aos problemas causados pela expansão das metrópoles. No entanto, o quadro não é inteiramente sombrio. As cidades são os piores poluidores, mas elas também podem diminuir de modo eficaz as emissões de GEEs que causam o aquecimento global.

Restringindo o uso de energia
As cidades sempre precisarão de muita energia para iluminação, aquecimento, importação de alimentos e transporte – elas só precisam é descobrir modos mais eficientes de fazê-lo. Cinco bancos internacionais destinaram 5 milhões de dólares em empréstimos para a iniciativa de 'construção ecológica' do ex-presidente Bill Clinton, que está investindo o dinheiro em projetos de eficiência energética em 15 países das maiores cidades do mundo, incluindo São Paulo, Londres, Mumbai, Tóquio e Berlim.

O prefeito Bloomberg, de Nova York, quer superar Londres e fazer da cidade dele a primeira "cidade ambientalmente sustentável do século 21". Bloomberg pretende reduzir em 30% as emissões de carbono da Big Apple até 2030, por meio de medidas como melhores técnicas de construção e operação de prédios, transporte mais eficiente, produção de eletricidade mais limpa e cobrança de pedágio urbano.

Porém, Bloomberg poderá descobrir que o topo da lista das cidades sustentáveis está lotado de concorrentes. Até o momento, mais de mil colegas dele já assinaram o acordo de proteção ao clima dos prefeitos dos Estados Unidos (US Mayors' Climate Protection Agreement). Esse documento obriga as cidades signatárias a atender ou superar as exigências de Kyoto: reduzir 7% das emissões de GEE até 2012, com base nos níveis de 1990. As cidades participantes incluem Portland, San Francisco, Seattle e Chicago, sendo que todas estipularam, por si mesmas, metas ambiciosas para a redução de emissões.

"Nos Estados Unidos estamos vendo uma concorrência entre cidades para ver quem consegue reduzir mais as emissões, em parte porque não houve uma liderança no nível federal," diz Janet Sawin, da Worldwatch. "Também existem cidades no mundo todo que estão fazendo mudanças não só pelos impactos ambientais e pela redução potencial de GEEs: elas estão vendo que isso possibilita criar mais empregos e oferecer melhor qualidade de vida."

Evitando os erros do passado
A Cidade do México e Bogotá realizaram grandes melhorias no transporte local, como substituir táxis antigos e introduzir sistemas eficazes de transporte coletivo. O tráfego agora flui melhor e a duração média das viagens recuou, assim como o nível geral de poluição e as emissões dessas cidades.

Outra estratégia é o planejamento urbano, que reverte a expansão urbana e melhora o transporte público a fim de evitar a poluição gerada por veículos e meios de transporte. Isso poderá ajudar a reduzir a dependência em relação aos carros, principalmente nas cidades norte-americanas.

Incorporar energia limpa e renovável é outro conceito. Na China, cerca de 90% de todas as residências em Rizhao, cidade costeira de quase 3 milhões de habitantes, usam aquecedores de água solares, e o governo local instalou painéis solares para alimentar a iluminação de rua e os semáforos. Já na Suécia, o distrito de Hammarby Sjöstad na capital, Estocolmo, utiliza o lixo residencial para produzir biogás, que é usado para aquecer moradias e alimentar os trens urbanos.

Apesar de tantos exemplos animadores, as cidades só irão fazer alguma diferença se forem apoiadas e seguidas pelos governos nacionais. A cúpula C40 em Nova Iorque, em 2009, foi encerrada com um apelo dos prefeitos aos líderes do G8 para que se definisse "uma meta no longo prazo para a estabilização das concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa.”

C40 em São Paulo, Brasil
A edição de 2011 da cúpula C40 foi realizada de 31 de maio a 3 de junho em São Paulo com a participação de 16 prefeitos e representantes de outras 31 cidades. A cidade possui diversos projetos para transformar a metrópole em um ambiente mais verde, como a construção de novos parques, o plantio e cultivo de árvores distribuídas pelo município e a implementação de programas de educação ambiental.

Como resultado do encontro, os prefeitos assinaram uma carta a ser entregue na conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, Rio+20, pedindo que os esforços das cidades para uma economia de baixo carbono e desenvolvimento sustentável recebam mais apoio dos governos.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, anunciou a criação de linhas de financiamento para projetos ambientais com o intuito de facilitar o investimento das cidades em ações sustentáveis.

Somente com o envolvimento de todos será possível transformar as discussões em ações efetivas de combate às mudanças climáticas.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

o fim do mercado de carbono

Ganhar muito dinheiro com ar. É possível? Entre os anos de 2006 e 2008, muitas empresas do Brasil e de outros países emergentes estavam convictas de que sim. E tinham razões para isso. Elas estavam faturando alguns milhões de dólares com a venda de créditos de carbono do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), da ONU, uma das peças-chave do Protocolo de Kyoto - tratado assinado em 1997 que determinou pela primeira vez limites para as emissões de gases causadores do efeito estufa nos países ricos. Funcionava assim: uma companhia brasileira apresentava à ONU um projeto de MDL provando que havia reduzido as emissões de CO2 ao trocar, por exemplo, a matriz energética suja de uma fábrica por uma de fonte renovável.

Com isso, ganhava créditos, que vendia a uma empresa europeia ou japonesa que precisava cumprir metas de baixar suas emissões de gases estufa. Esse comércio entre emergentes e ricos teve seu auge em 2007, quando movimentou 7,4 bilhões de dólares. De lá para cá, porém, o MDL perdeu fôlego, e o que se vê hoje é o ocaso de um dos símbolos da luta contra o aquecimento global. Segundo um relatório do Banco Mundial divulgado no início de junho, a venda desses créditos gerou apenas 1,5 bilhão de dólares em 2010. Isso representou 1% do total de 142 bilhões de dólares do mercado global de carbono em 2010, que abrange outros tipos de negociação. Entre 2005 e 2007, essa fatia chegou a ser de quase 20%. O mercado de carbono começou a dar sinais de fadiga em 2008, quando a crise financeira mundial derrubou os preços dos créditos.

VEJA QUADRO - Ladeira abaixo: O Mercado de carbono já teve dias melhores

A crise tirou também o fôlego da indústria europeia, que, ao produzir menos, passou a precisar de menos ajuda dos emergentes para cumprir suas metas de redução de gases estufa. Até dezembro de 2009, porém, acreditava-se que os governantes dos países do mundo reunidos na conferência do clima da ONU, em Copenhague, na Dinamarca, definiriam um acordo global de redução de emissões para depois de 2012, data em que o Protocolo de Kyoto expira. Mas isso não aconteceu. Foi-se a expectativa e com ela os negócios com créditos de carbono do MDL. "Ninguém sabe o que vai ser do MDL a partir de 2013", afirma Flavio Pinheiro, diretor da Econergy, consultoria de projetos de carbono da empresa de energia francesa GDF Suez. "Não fosse essa insegurança, desenvolveríamos mais 50 projetos, além dos 71 de nossa carteira atual."

Sem nenhuma garantia de que os créditos de projetos registrados a partir de 2013 terão compradores, o que as empresas estão fazendo é correr para aprovar seus projetos de MDL na ONU até o final de 2012. Uma das companhias que estão brigando contra o relógio é a ArcelorMittal. O diretor de meio ambiente global da siderúrgica, o belga Karl Buttiens, esteve no Brasil em maio e deu ordens para a subsidiária apressar os quatro projetos em desenvolvimento. No cronograma inicial, a ArcelorMittal levaria, no mínimo, mais três anos para obter o registro. Dois desses projetos estão relacionados ao uso de carvão vegetal, em vez de carvão mineral, na produção de ferro-gusa na usina de Juiz de Fora, em Minas Gerais. A siderúrgica já tem o registro de um projeto de MDL, que recupera gases como o monóxido de carbono produzido na aciaria de Tubarão, no Espírito Santo, para gerar energia em suas termelétricas. A venda de parte desses créditos ao banco alemão KfW em 2009 rendeu à ArcelorMittal 5 milhões de dólares. Hoje, a empresa negocia com o banco a venda de um segundo lote de créditos do mesmo projeto.

"O MDL tem sido um estímulo para que os países emergentes invistam em tecnologias limpas", diz José Otávio Franco, gerente de meio ambiente da ArcelorMittal Aços Longos. Dito isso, a questão que se impõe é quanto seu enfraquecimento vai atrapalhar essa trajetória. "Vamos continuar apostando em processos produtivos mais sustentáveis, mesmo que não possamos contar com o empurrão da venda de créditos do MDL", diz Franco. É uma visão otimista, que casa com a de especialistas que acreditam na recuperação desse mercado. Para Carlos Delpupo, da consultoria Instituto Totum, o acidente na usina japonesa de Fukushima e o renascimento da aversão à energia nuclear podem levar a um uso maior de combustíveis fósseis na Europa. "Esse aumento do uso de energia suja terá de ser compensado em parte com créditos do MDL", diz Delpupo. É uma hipótese. O que já virou uma certeza para as empresas de países emergentes é que ganhar dinheiro com ar - ou melhor, com créditos de carbono - já foi bem mais fácil.
fonte planeta sustentavel.

O lucindo estava certo materia da info exame

Quando passamos ao lado de um rio poluído, o mau cheiro denuncia a péssima qualidade da água. A cor escura ou a presença de espuma também apontam que algo vai mal. Mas o que fazer quando a poluição não pode ser vista com facilidade? A água parece limpa, mas está contaminada por um tipo de poluente praticamente invisível, difícil de detectar, não legislado no Brasil e com efeitos em grande parte desconhecidos. Essa é a nova preocupação dos cientistas que estudam os agentes poluidores da água e, consequentemente, seus efeitos sobre a vida. As substâncias se reúnem sob o nome de contaminantes emergentes e estão presentes em bens de consumo da vida moderna, como protetores solares, remédios, materiais para retardar chamas, pesticidas e nanomateriais.

“Ainda há poucos estudos na área, mas devido às aglomerações urbanas e ao saneamento precário, que aumentam a concentração dessas substâncias, elas podem trazer riscos ao ambiente e à saúde”, diz Wilson Jardim,pesquisador do Laboratório de Química Ambientalda Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente, são conhecidos cerca de três milhões de compostos sintéticos - número que aumenta entre 5% e 10% todos os anos. Em média, 200 toneladas deles são produzidas nesse período, sendo que entre 20% e 30% podem contaminar a água e atingir os animais e o homem.

Hormônios também poluem
Alguns dos compostos emergentes mais estudados são os hormônios. Por fazer parte da nossa vida, parecem inofensivos. Mas o crescimento das metrópoles e o despejo de esgoto nos rios aumentaram sua concentração na água que usamos. O fenômeno é causado tanto por hormônios naturalmente excretados pelas mulheres, quanto por substâncias presentes em plásticos, agrotóxicos e pílulas anticoncepcionais. “Todas elas têm ação estrogênica e mesmo quando não são hormônios reais, agem no corpo de forma parecida”, diz Mércia Barcellos da Costa, bióloga da Universidade Federal do Espírito Santo. Segundo a pesquisadora, um desses compostos, o tributilestanho (TBT), provoca mudança de sexo de algumas espécies de animais. Ele é usado para revestir cascos de navios e evitar a incrustação por algas, mexilhões, cracas etc. Ainda há muita controvérsia sobre os efeitos da exposição prolongada em humanos.

Falam que ele e Louco defendeu o belinati e defende o ribeirão quati a materia abaixo;

Suspeita-se que o contato com a água com excesso de hormônios esteja antecipando a menstruação das meninas. Ela também poderia deixar os homens mais femininos e até causar câncer. Por enquanto, nenhuma dessas hipóteses foi confirmada. Estudos internacionais nas áreas de biologia e química constataram modificações anatômicas sérias em animais que vivem em regiões com água contaminada. No mundo, cetáceos como golfinhos e baleias estão contaminados e foram descritas mutações em moluscos e crustáceos. “São modificações que podem comprometer a reprodução de uma espécie e causar até mesmo sua extinção”, diz Mércia. Ela verifi cou o desaparecimento de populações inteiras de moluscos no litoral capixaba. Bruno Sant’Anna, biólogo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também se deparou com alterações nos caranguejos ermitões de São Vicente, no litoral do estado de São Paulo. ”Comecei a investigar e percebi que as fêmeas da espécie estavam se masculinizando. Isso acontece em 2% a 8% das populações dos ermitões”, afirma. Não por acaso, as regiões mais afetadas são próximas a portos, já que os navios carregam a substância, que é considerada tóxica e se acumula nos organismos por longos períod

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A briga pra quem tem direito ou não , quem tem cadeira ou não , Marcou audiencia publica do novo Codigo ambiental de Londrina . Consema e Sema brigam Pela Gestao do fundo ambiental. A sema quer absorver o iap sucatEado , sendo que ela nao consegue Resolver problemas de cupins na Arvores. Falaram dos rios otimo. Arbonização da cidade. E o lixo Deixado de lado . Rss residuos de saude nao consta. O lixo tecnologico nem pensar. A Chance de cobrar das outras operAdoras que operam em Londrina nem foram lembradas ref a devoluÇao das baterias de celular , hoJe a cargo da sercomtel. So multa Educaçao ambiental quase zero. EMbrapa iapar srp acil nao convocados . Nobres vereadores vao pensar grande na questao ambiental . Pois meio ambiente nao e so rio E mata.

LAUDO RUIDO AMBIENTAL

Este laudo foi realizado nos setores da   BRF Londrina Central de Distribuição, localizada na Av. Saul Elkind   cidade industrial s/n sa...